Do Cerrado à Mata Atlântica: em qual desses biomas a gente vive?

O projeto Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas atua diretamente na restauração de paisagens e na mobilização de pessoas no interior paulista. Mas você sabia que as áreas onde o projeto atua — em municípios como Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi — fazem parte de um território único, onde dois biomas importantes do Brasil se encontram?

Entre serras, matas e rios, essa região abriga um raro e valioso mosaico ecológico formado pela transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica. E entender essa convivência entre biomas é essencial para cuidar da terra, da biodiversidade e das próprias comunidades que vivem nela.

 

Onde estamos?

As ações do Corredor Caipira, projeto realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, abrange os municípios de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi, localizados em uma região de transição ecológica, também chamada de ecótono. Isso quer dizer que não existe uma linha clara que separa Cerrado e Mata Atlântica, mas, sim, uma paisagem mista, onde elementos dos dois biomas convivem, se sobrepõem e se interconectam.

 

E o que nasce da mistura de biomas?

Essa sobreposição cria um mosaico ecológico riquíssimo em que:

  • Podemos encontrar espécies típicas do Cerrado, como barbatimão, lobeira e pequi, convivendo com espécies da Mata Atlântica, como jatobá, jequitibá e pau-jacaré;
  • A fauna também é diversa e adaptável: animais como o tamanduá-bandeira, que prefere áreas abertas, vivem próximos a áreas onde é possível avistar macacos-prego ou jacutingas, aves de floresta densa.

Esse tipo de paisagem não é só bonito. É estrategicamente importante para a conservação da biodiversidade, pois atua como ponte ecológica entre os dois biomas, permitindo o deslocamento e a reprodução de diversas espécies.

 

Por que isso importa para a restauração?

Quando o projeto Corredor Caipira realiza a restauração ecológica de áreas degradadas, ele leva em conta essa dupla identidade biológica. O uso de mudas nativas variadas, representando tanto espécies do Cerrado quanto da Mata Atlântica, é fundamental para reconstruir paisagens equilibradas, resilientes e mais próximas do que existia ali originalmente.

Além disso, respeitar o bioma é respeitar o solo, o clima, os animais e as pessoas que dependem dele. Em uma região de transição como a nossa, isso exige um olhar atento, sensível e profundamente conectado com o território.

Viver entre biomas é um convite constante à diversidade, ao equilíbrio e ao cuidado com a natureza. Aqui, entre Cerrado e Mata Atlântica, o desafio é aprender com os dois mundos, e cultivar o melhor de cada um.

 

Foto: Alice de Araújo

Escrito por Amanda Varussa, estudante de Engenharia Agronômica pela Esalq/Usp e bolsista pelo projeto.