O projeto “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas”, que tem patrocínio da Petrobras, esteve presente no Fórum Permanente de Cultura e Patrimônio, em Piracicaba (SP), por meio da participação e de palestra conduzida pelo engenheiro florestal Girlei Costa da Cunha, consultor florestal do projeto.
O “Corredor Caipira” é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Esalq/USP. O patrocínio é da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Girlei conduziu a palestra “A orla do Rio Piracicaba no espaço urbano: a busca pela sustentabilidade no uso dos recursos naturais”, realizada no Sesc Piracicaba no dia 19 de maio, que teve como objetivo mostrar a importância de ações ambientais para a conservação do patrimônio histórico, ambiental e social, envolvendo a orla do Rio Piracicaba no espaço urbano. O rio e suas margens, de acordo com Girlei, representam a identidade regional, devido à sua importância para a fauna e flora aquáticos e terrestres e também para a história regional e cultura popular.
Recursos sociais e econômicos
Ainda segundo o engenheiro florestal, a orla do rio Piracicaba oferece recursos sociais e econômicos para diferentes grupos de interesse presentes no município, incluindo a população em geral, moradores, comerciantes, prestadores de serviços e a indústria da construção e o setor imobiliário.
“A orla fluvial no espaço urbano de Piracicaba tem caráter multifuncional e, para a sustentabilidade ambiental, é necessário privilegiar a conservação dos recursos naturais, incluindo solo, água e biodiversidade. Precisamos de água em quantidade adequada e qualidade que permita a sua utilização pelos diferentes tipos de usuários. Isso deve considerar não apenas a demanda atual, mas levar também em conta o crescimento populacional da cidade e na bacia hidrográfica a montante de Piracicaba nas próximas décadas”, afirma Girlei, em texto reproduzido no caderno de resumos do evento.
Vegetação nativa e serviços ambientais
O profissional aponta que a saúde do solo – características físicas, químicas e biológicas – nas margens do rio, é importante para que serviços ecossistêmicos funcionem adequadamente. Entre esses serviços, está a regulação do ciclo hidrológico. O tipo de cobertura e de uso do solo influencia a sua qualidade, sendo a vegetação nativa aquela que mais favorece a “saúde” do solo, de acordo com o especialista. Em Piracicaba, mais de 10 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente, as áreas mais sensíveis da paisagem, não possuem vegetação nativa, precisando de intervenções para restauração dessa vegetação para bom funcionamento dos serviços ecossistêmicos.
“Na orla do Rio Piracicaba há alta diversidade de espécies de aves, muitas delas associadas ao próprio rio de Piracicaba e dependentes da vegetação ribeirinha. A manutenção e o incremento das populações de aves que vivem próximas ao rio é um ativo ambiental com potencial turístico para observadores de aves e, para isso, é necessário aumentar as áreas destinadas às florestas e demais formas de vegetação nativa”, indica.
“A orla do rio Piracicaba é um corredor ecológico para mamíferos com exemplos de repercussão, como a onça-parda flagrada passeando na rua do Porto em 2019 e o tamanduá-bandeira resgatado nas margens do rio Piracicaba no verão de 2026”, aponta Girlei, que ressalta a importância do espaço, por reunir significativos atributos ambientais, sociais, históricos e culturais.
Futuro
Como uma oportunidade para o futuro, Girlei usa como exemplo a possibilidade de dar uso público e multifuncional para um espaço que considera “abandonado” na orla do Rio Piracicaba, que abrigou antiga Fábrica da Boyes, localizado em frente à Passarela Pênsil, que dá acesso ao Engenho Central, um dos mais imponentes complexos turísticos e culturais do interior paulista.
Pelas características únicas em termos de localização e importância histórica, o espaço, na opinião de Girlei, deveria ser destinado ao uso público, assim como o Engenho Central. “A destinação ideal seria um espaço de cultura e lazer para toda a população como espaço cultural, de memória, e com natureza biodiversa e exuberante, com alto potencial turístico”, completa.
O que é o Fórum?
Iniciativa voltada à valorização e preservação do patrimônio cultural, o primeiro Fórum Permanente de Cultura e Patrimônio aconteceu entre os dias 18 e 20 de maio, com realização do Laboratório de Inovação Urbana e Ciência Cidadã (IUCC.Lab) e do Sesc, em parceria com a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e o Parque Tecnológico de Piracicaba.
De acordo com a organização, o Fórum surgiu como um espaço de encontro, diálogo e articulação comunitária, ao reunir um público formado por especialistas, gestores públicos, pesquisadores, coletivos culturais, universidades e a sociedade civil, focados em discussões referentes ao patrimônio cultural.
Fotos: Rafael Bitencourt
Escrito por Rafael Bitencourt, jornalista e coordenador de comunicação do Corredor Caipira

