No segundo semestre de 2024, período de estiagem, os incêndios florestais em diferentes biomas chamaram a atenção no Brasil. A situação se estendeu por meses e foi alarmante, inclusive, na região de Piracicaba (SP), sede do projeto “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas”, que tem patrocínio da Petrobras.
Atento aos riscos de que a situação se repita em 2025, durante o mesmo período de estiagem, representantes do “Corredor Caipira” participaram da 2ª Capacitação de Brigadistas Agroecológicos, realizada nos meses de maio e junho, que, além de membros do projeto, reuniu a participação de representantes de diferentes instituições, além de pessoas interessadas na temática.
O “Corredor Caipira” é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP). O patrocínio é da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Panorama geral e impactos
No primeiro encontro, realizado no dia 18 de maio no Sesc Piracicaba, foi apresentado um panorama geral da problemática dos incêndios na região e os impactos na biodiversidade, com ênfase no trabalho da Estação Ecológica de Barreiro Rico.
O segundo encontro, realizado no dia 1º de junho na Chácara Kuaíra, reuniu ações práticas de combate às queimadas, com exercício de planejamento em propriedades rurais e confecção de abafadores, entre outras atividades.
De acordo com Kelly Coletti, da equipe de organização da capacitação, a ação tem como objetivo aproximar as pessoas da realidade dos agricultores familiares frente à problemática dos incêndios, que se faz presente na região.
“Percebemos que os agricultores agroecológicos, especialmente, têm enfrentado muitos desafios e considerando que todos os anos há ocorrência de incêndios, estamos nos organizando para fazer essa prevenção e esse combate. Com a capacitação dos brigadistas e com o devido equipamento, podemos fazer esse processo de uma forma mais assertiva e mais segura, além de cuidarmos uns dos outros no território”, afirma Kelly.
Conservação da biodiversidade e prevenção aos incêndios
Para Girlei Cunha, um dos representantes do “Corredor Caipira” ao longo das atividades realizadas, a capacitação foi importante, ainda, para a conservação da biodiversidade do território.
“A importância disso, primeiro, é a conservação da biodiversidade na nossa região. No entorno de Piracicaba nós temos florestas, temos vegetação nativa, e é importante conservar. A vegetação nativa é o abrigo natural da fauna silvestre que resiste na nossa região”, diz.
“Além disso, no município, há a produção de alimentos em sítios e pequenas chácaras que estão ligados ao movimento agroecológico e é importante conservar, facilitando a prevenção de incêndios”, aponta Girlei.
Efeito devastador
De acordo com Girlei, quando um incêndio ocorre em uma área de produção, ele tem um efeito devastador e pode dizimar uma produção agrícola que está ali a um bom tempo, seja uma fase inicial, em período de colheita ou outras etapas.
“Quando o fogo destrói uma propriedade, ou parte dela, os prejuízos se estendem além daquele material que se observa no momento do fogo ou logo após essa ocorrência. Isso pode acarretar até o afastamento das pessoas que atuam nessa atividade”, diz.
“E isso é terrível para a sociedade, para aquele núcleo de produção, que muitas vezes é um núcleo familiar, e para a população como um todo”, completa o representante do “Corredor Caipira”.
Escrito por Rafael Bitencourt, jornalista e coordenador de comunicação do Corredor Caipira

